Notícias

Saiu na Imprensa - Reportagem na Revista FAPESP sobre gravidez indesejada - Profª Ana Luiza Vilela

Data: 20/04/2022

Evitar a gravidez: preocupação constante das mulheres

Léo Ramos Chaves


Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.


Ainda são comuns as falhas, o abandono e a interrupção do uso de métodos contraceptivos, muitas vezes resultando em gravidez não intencional, de acordo com estudos recentes. Um deles, da Universidade de São Paulo (USP), indicou que quase um terço das 2.051 mulheres entrevistadas nas cidades de São Paulo, Aracaju e Cuiabá abandonou o método em até 12 meses após começar a usá-lo. As razões foram bem variadas: por querer engravidar, por desejar um método mais eficaz ou por causa dos efeitos colaterais dos anticoncepcionais hormonais.
 

“Muitas mulheres que entrevistei estavam angustiadas, com dúvidas e receios”, comenta a enfermeira Ana Luiza Vilela Borges, da Escola de Enfermagem da USP, coordenadora do estudo apoiado pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), publicado em fevereiro de 2021 no Cadernos de Saúde Pública. “As mulheres passam em média 35 anos de suas vidas se preocupando em evitar uma gravidez.”
 

Uma em cada quatro mulheres engravidou enquanto o parceiro usava preservativo masculino (camisinha); 18% delas enquanto tomavam pílula anticoncepcional, o método mais utilizado no país; e 8,4% usando anticoncepcional hormonal injetável, aplicado por um profissional da saúde em intervalos entre um ou três meses. Os índices são mais altos que os observados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 18% para camisinha e 9% para a pílula.
 

Como os efeitos colaterais indesejados de alguns dos métodos utilizados foram a principal razão de abandono, Borges concluiu que as mulheres podem não ter sido devidamente informadas pelos profissionais da saúde sobre o que esperar de cada um. Por exemplo, o contraceptivo hormonal injetável, que apresentou a maior taxa de abandono por causas ligadas ao próprio método (11,4%) ou por seus efeitos, como alterações no ciclo menstrual ou ganho de peso.
 

De acordo com essa pesquisa, muitas mulheres incomodadas com os efeitos colaterais dos injetáveis migraram para métodos menos eficazes. Um estudo em andamento do grupo de Borges indicou que o preservativo masculino é o método mais adotado nesses períodos de transição, mas essa troca pode aumentar o risco de gravidez não intencional.
 

“O uso da camisinha envolve uma negociação, nem sempre fácil, com o parceiro”, diz a pesquisadora. “Um erro comum entre os casais é usar o preservativo de forma inconsistente e inadequada, o que acarreta mais chance de falhas.”
 

 PARA LER A MATÉRIA COMPLETA, CLIQUE AQUI